Porta com chave do lado de fora levantou suspeita de que suicídio no Paraná pode ser homicídio, diz delegado

Quatro homens são presos após jovem morrer em apartamento em Londrina O homem encontrado morto em um prédio de Londrina, no Norte do Paraná, estava em um qu...

Porta com chave do lado de fora levantou suspeita de que suicídio no Paraná pode ser homicídio, diz delegado
Porta com chave do lado de fora levantou suspeita de que suicídio no Paraná pode ser homicídio, diz delegado (Foto: Reprodução)

Quatro homens são presos após jovem morrer em apartamento em Londrina O homem encontrado morto em um prédio de Londrina, no Norte do Paraná, estava em um quarto com a chave para o lado de fora antes de cair do 14º andar. O detalhe foi percebido por policiais civis que foram ao local e, somado a outras pistas, levantou a suspeita de que o suposto suicídio pode se tratar de um homicídio. O corpo de Alexandre Rodrigues Ramos, de 27 anos, foi localizado na manhã desta sexta-feira (14). Segundo a investigação, a queda aconteceu após ele ter sido agredido, dopado e torturado por colegas da namorada dele. As circunstâncias são investigadas, e a Polícia Civil quer entender se o rapaz foi jogado ou se ele mesmo se jogou para fugir das agressões. ✅ Siga o g1 Londrina e região no WhatsApp "Tinha um colchão vedando o acesso [ao apartamento]. Também a gente percebeu que, no quarto em que a vítima se lançou, a chave estava para o lado de fora", disse o delegado Miguel Chibani. Vítima caiu de janela de alojamento em Londrina. Reprodução Quatro homens, com idades entre 22 e 24 anos, foram presos em flagrante por tortura, com agravante de cárcere privado e resultado morte. Eles também foram autuados por fraude processual, porque esconderam as amarras que estavam no pulso e nas pernas da vítima. Os nomes deles não foram divulgados. "A gente aguarda agora a perícia para firmar um posicionamento a respeito do suicídio. Entender se ele realmente caiu pedindo socorro, em desespero, porque, quando acordou, provavelmente com a capacidade psicomotora alterada, com edema no rosto, machucado, com o quarto trancado, então em desespero ele acabou se lançando, ou se lançando para evitar a continuidade das agressões, porque elas continuariam, ou se realmente ele tentou se projetar e acabou se auto-exterminando. A gente não descarta que, durante a madrugada, algum deles [suspeito] possa ter lançado do corpo", explica o delegado. Investigação Inicialmente, a ocorrência chegou à polícia na manhã de sexta-feira como um caso de suicídio. Porém, no local, os agentes notaram que a chave que trancava o cômodo do qual a vítima teria caído estava para o lado de fora da porta. Seis pessoas moravam neste apartamento: a namorada da vítima, os quatro suspeitos e um homem que denunciou o caso após a chegada dos policiais. Nenhum dos moradores é do Paraná, conforme foi apurado. Todos estavam em Londrina em um alojamento pago pela empresa em que trabalham. Segundo o delegado Miguel Chibani, responsável pelas investigações, Alexandre estava visitando a namorada e, por volta das 22h30 de quinta-feira (13), foi confrontado, com uma faca, pelos quatro suspeitos, que acreditavam que ele tinha furtado uma câmera fotográfica avaliada em R$ 12 mil. Em seguida, conforme o delegado, Alexandre foi trancado em um dos cômodos do apartamento, teve os pés e mãos amarrados com um cabo de extensão e passou a ser agredido. A vítima também foi forçada a ingerir dois comprimidos de uma medicação que causa irresponsividade. Polícia prende quatro suspeitos de tortura e morte As informações foram colhidas pelo delegado nos depoimentos prestados pelas testemunhas e pelos suspeitos, sendo que dois deles confessaram as agressões. "Ele foi agredido mediante chute, soco, tapa no rosto, foi ameaçado de morte, houve o relato de que um deles dizia que eles iam retalhar o corpo... Ele acabou falando a respeito do furto e admitiu. A vítima do furto, que no caso é coautora dessa tortura, acabou ainda na madrugada se deslocando e conseguiu conversar com o comprador da câmera, que já tinha se desfeito dela em troca de um celular e de uma quantia em dinheiro", detalha Chibani. Chibani estima que foram cerca de quatro horas de sucessivos ataques contra Alexandre. À polícia, a namorada de Alexandre afirmou que viu o que estava acontecendo e tentou entrar no cômodo em que a vítima estava presa. Porém, disse ter sido ameaçada por um dos suspeitos. VÍDEOS: Mais assistidos do g1 Paraná Leia mais notícias no g1 Paraná.